Governador Camilo Santana culpa facções e critica Temer e antecessores

O fortalecimento de facções criminosas no Brasil é uma das razões que, segundo Camilo Santana (PT), contribuíram para que abril fosse o mês em que mais se matou gente no Ceará este ano. Ele mencionou que o crime organizado tem buscado mais poder, “com criação até de facções estaduais”. E culpou ainda a omissão contínua do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado e no apoio às ações de segurança pública. “Não tô falando (só) desse Governo (referindo-se ao presidente Michel Temer), mas dos governos (anteriores a ele)”, afirmou.

Em coletiva de imprensa na manhã de ontem, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) André Costa engrossou o discurso de Camilo e criticou a desassistência da União. “O governador autorizou para as polícias Militar e Civil a compra de cerca de cinco mil coletes balísticos. A gente acabou de receber um ofício do Governo Federal dizendo que eles estão mandando 250 coletes”. Justificativas, de acordo com Costa, não foram acrescentadas. “Não tem como justificar o injustificável”.

Dos quatro primeiros meses de 2017, em três o Ceará registrou aumento no número de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) — homicídios, lesões corporais seguidas de morte ou latrocínios. Em abril, o número cresceu 37,6%, em relação ao mesmo mês de 2016. Só Fortaleza teve aumento de 86,7%. Desde 2013, o Estado não sofria, em abril, tantos CVLIs. Por outro lado, Crimes contra o Patrimônio (CVPs) e furtos tiveram queda de 7,3% e 9,5%, respectivamente, no mês.

Na do governador, outra possível justificativa para o crescimento de CVLIs é a desarticulação entre os poderes Executivo e Judiciário. “Recentemente prendemos uma quadrilha conhecida como Os Pipocas de Quixadá e o STF (Supremo Tribunal Federal) deu uma liminar soltando. Tem alguma coisa errada”, censurou.

“Estou incomodado. (…) Tenho determinado a presença mais forte da Polícia, principalmente em Fortaleza. Isso tem exigido investigação, análise criminal mais detalhada. É preciso muita cautela para identificar o que está acontecendo para que a gente possa atuar de forma mais concisa”, continuou ele.

Apesar de a apuração continuar em andamento, André Costa lembrou que a presença da Polícia em áreas onde antes o Estado não entrava — a exemplo do Morro de Santiago — “causa reações, disputas (por território)”, o que também pode ter influenciado nos homicídios. “São criminosos disputando área e se matando”, resumiu o governador.

INFORMAÇÃO: O Povo.

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